A “Capilaridade” dos Resíduos Sólidos

O Ministério das cidades junto ao Ministério do Meio Ambiente, em 2008, lançou um manual intitulado “Elementos para a organização da coleta seletiva e projeto dos galpões de triagem”. O documento indica o fluxo dos resíduos até a chegada em uma unidade importante – a Central de Triagem , que deve ser dimensionada de acordo com as características do público a ser atendido, considerando a geração de resíduos sólidos e o mercado de reciclagem. O documento usa o termo Capilaridade para designar o fluxo dos resíduos na cadeia da reciclagem, com ênfase na Usina de Triagem como unidade central.

A Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), no Manual de orientações para elaboração de propostas para o Programa de Resíduos Sólidos, indica que na concepção e especificações dos elementos de projeto básico de recuperação de recicláveis deve conter o local de triagem dos resíduos, esta definição é importante em uma análise global dos custos gerados no sistema.

A quantidade de pessoas que serão atendidas e consequentemente o volume de resíduos gerados, são determinantes na escolha do tipo de central de triagem a ser adotado. Os fatores relacionados ao contexto socioeconômico local também devem ser considerados. Basicamente, quanto aos equipamentos utilizados, existem três tipos de centrais ou usinas de triagem ou ainda de Galpões de Triagem, termo muito comum no Brasil para designar tal unidade.

As centrais devem envolver a sociedade de grandes e pequenos geradores, assim como pessoas que deverão ser devidamente capacitadas para administrar a entrada e saída de material, de forma economicamente viável e ambientalmente correta. A integração da equipe de trabalho é um fator importante, no Brasil, onde a maioria das centrais são manuais, se é evidenciado problemáticas voltadas a integração da equipe, seja quanto às diligências internas ou ainda externas, aliando-as ao poder público e aos geradores.

As centrais manuais, empregadas para pequeno número de contribuintes, como pequenos municípios, empresas, instituições; devido a possibilidade do uso de mão de obra para realizar todo o processo de segregação, com a utilização de acessórios manuais. Este modelo gera uma quantidade significativa de empregos diretos, mas deve-se capacitar cada atuante na unidade, para evitar segregação inadequada de materiais, comprometendo a qualidade dos mesmos e ainda a ocorrência de acidentes de trabalho, gerados muitas vezes pelo não conhecimento ou pela ausência de práticas das Normas de Segurança do Trabalho. O custo inicial de implantação deste modelo é relativamente inferior aos demais, mas exige boa administração e uma equipe de trabalho comprometida para que hajam bons resultados.

A central semiautomática é composta de sistemas automatizados e mão de obra capacitada para operar as ferramentas de trabalho. Por possuir maquinário para auxiliar no processo, pode receber uma quantidade maior de resíduos do que sistemas manuais, considerando um mesmo período de tempo. É também por este motivo que tais centrais apresentam um maior custo de investimento, mas o retorno pode também ser mais rápido, visto que é possível controlar a operação a partir das demandas.

Em alguns países como Alemanha, Japão, Suécia, Estocolmo e Estados Unidos adota-se sistemas totalmente automatizados, com mão de obra de alta qualificação técnica e operação contínua. Esses modelos são empregados geralmente quando se tem uma alta produção de resíduos, um amadurecimento do mercado de reciclagem e o resíduo é visto como bem intermediário de alto valor.

A unidade de triagem deve possuir Sistema de Gestão Ambiental, com fluxograma de processos bem organizado, levantamento de riscos e prevenção dos mesmos, assim como deve-se realizar auditorias ambientais para verificar falhas e potencialidades do sistema implantado, na busca da melhoria contínua.

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A ESCOLHA DA CENTRAL DE TRIAGEM

Cada caso deve ser visto como específico, apesar de haver indicações mais gerais em relação a população, a quantidade de geração e a disponibilidade de recursos para investimento inicial, antes de escolher o tipo de central a ser adotado, assim como seu arranjo interno, faz-se  necessário conhecer quem gera os resíduos, o que gera e quanto gera, neste caso se determinará as zonas de silos  para o acondicionamento adequado, em seguida as mesmas perguntas devem ser feitas para quem compra o material, o que compra e por quanto compra, esse fator será definitivo na metodologia de separação a ser adotado.

A NBR 10007  indica metodologias de amostragem de resíduos, quando se quer determinar sua quantidade, classificação e métodos de tratamento.

A EQUIPE DE TRABALHO

A maioria das centrais de triagem existentes no Brasil são manuais, e este setor ainda vivencia problemas internos que dificultam a relação com o mercado. Logo é necessário um período de capacitação e adaptação da equipe de trabalho, com a divisão de atribuições de forma ordenada, de modo que cada função seja atendida. Há um déficit muito frequente na equipe de administração.

Para que se tenha uma boa operação e se evite perda de material durante o processo, esta deve executar suas atividades de forma organizada, sendo conhecedora de toda a operação. Além disso é necessário o conhecimento e o obedecimento das normas de segurança do trabalho, em especial da NR 05 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, NR 06 – Equipamentos de Proteção Individual, NR 09 – Programas de Prevenção de Riscos Ambientais, NR 11 – Transporte, Movimentação , Armazenagem e Manuseio de Materiais, NR – 17 Ergonomia, NR 23 – Proteção contra incêndios e NR 26 – Sinalização de Segurança. Para casos de setores ou situações específicas as demais Normas Regulamentadoras deverão ser consultadas.

SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL 

A Gestão Ambiental baseia-se no princípio da melhoria contínua em todos os aspectos relacionados ao meio ambiente da instituição. O sistema consiste em um conjunto de objetivos, metas e ações planejadas. Durante e após a implantação é necessário verificar constantemente as atividades e sempre buscar  melhoria, mantendo-se com padrões de qualidade melhores do que é exigido pela legislação. Os princípios de SGA fundamentam-se na economia ambiental, onde é possível gerir recursos limitados e atender demandas crescentes de forma organizada, com a prevenção de riscos do ambiente de trabalho.

EXEMPLO PRÁTICO

O vídeo apresenta uma situação real onde podemos compreender melhor os conceitos discutidos.

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About Letícia Lacerda Freire

Técnica em Meio Ambiente, pelo Instituto Centro de Ensino Tecnológico – CENTEC, cursa Bacharelado em Engenharia Ambiental, no Instituto Federal do Ceará (IFCE- Campus Juazeiro do Norte), com experiência em Resíduos Sólidos e em análises físico-químicas e microbiológicas de águas e efluentes.

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