A Reciclagem

Reciclagem

A reciclagem faz referência a uma reintrodução de alguma coisa à um determinado ciclo. No setor de resíduos sólidos significaria a reintrodução dos resíduos gerados por todos os setores da sociedade no ciclo de produção. As particularidades deste conceito se diferem de acordo com o país em questão, mas a grosso modo pode ser entendido dessa forma. Em países como a Alemanha, reciclar significa simplesmente a reintrodução dos resíduos ao setor produtivo, não interessando a forma como isso acontece e inclui as fases de reutilização, tratamento mas também o artesanato com resíduos não havendo a necessidade da alteração nas propriedades físicas e/ou químicas dos resíduos como ocorre no Brasil.

De acordo com a Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a reciclagem ocupa a quarta posição na ordem de prioridade na gestão e no gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil. Veja o que diz o Art. 9°:

Lei 12.305/2010 Art. 9  Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geraçãoreduçãoreutilizaçãoreciclagemtratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

§ 1o  Poderão ser utilizadas tecnologias visando à recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos, desde que tenha sido comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e com a implantação de programa de monitoramento de emissão de gases tóxicos aprovado pelo órgão ambiental. 

§ 2o  A Política Nacional de Resíduos Sólidos e as Políticas de Resíduos Sólidos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios serão compatíveis com o disposto no caput e no § 1o deste artigo e com as demais diretrizes estabelecidas nesta Lei. “

O termo RECICLAGEM é encontrado em inúmeras iniciativas espalhadas em todo o Brasil. É grande a quantidade de pessoas e instituições que fazem um mal emprego do termo. Para evitar qualquer mal entendido, vamos fazer uso da definição oficial da palavra.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos define em seu Título I – Disposições Gerais – Capítulo II parágrafo Definições – Inciso XIV o termo RECICLAGEM como sendo:

“Processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa”

Isso significa que somente resíduos que possam sofrer transformações em suas propriedades para depois servirem como matéria prima para a fabricação de novos produtos podem ser chamados de resíduos recicláveis. Daí vem o termo resíduo reciclável ou não.

É muito importante entender isso principalmente para quem atua na área. Somente quando houver alterações em suas propriedades é que podemos dizer que um determinado processo se trata de reciclagem. No caso de uso de produtos para outros fins, em muitas vezes estamos falando de reutilização.

Como não existia uma cultura que levasse os fabricantes de produtos a pensarem além do consumo, nos processos de produção não se escolhiam os materiais utilizados na produção e dessa forma, a indústria produzia uma grande quantidade de resíduos que não podiam ser reciclados. Nos últimos anos, com o progresso e a relevância dos aspectos ambientais isso tem mudado de forma muito rápida. Dentro deste contexto, a economia circular apoiada por programas internacionais como o Lixo Zero, promovem que todos os produtos precisar ser concebidos de forma que depois de descartados, todos os resíduos derivados desse produto possam ter uma destinação ambientalmente correta e de preferência seja reutilizado ou reciclado.

Em uma sociedade moderna, a reciclagem tem o papel fundamental de fechar o ciclo da sustentabilidade, ou seja, através dela os resíduos após sofrerem um processo de transformação, podem voltar a cadeia produtiva e servir de matéria prima para a fabricação de outros produtos. Entre as grandes vantagens desse processo podemos citar:

  • Economia de recursos naturais;
  • Diminuição do desmatamento e melhor controle de manejo florestal;
  • Redução da necessidade de extração de minérios em minas, reduzindo seus impactos ambientais;
  • Diminuição no consumo de energia para a produção;
  • Geração de emprego e renda para a população;
  • Incentivo ao desenvolvimento intelectual e a ciência;
  • Incentivo ao desenvolvimento social através da integração dos catadores de material reciclável ou reutilizável;
  • etc …

O Brasil se destaca como o país onde mais se recicla latas de alumínio no mundo e hoje muitas pessoas conseguem até mesmo viver da coleta seletiva dessas latas. Quando conseguirmos estender esse processo aos outros materiais recicláveis, vamos estender também o benefício econômico e social desse método com impactos diretos no meio ambiente.

Nos dias de hoje (2013), decidir se um produto é reciclável ou não depende primeiramente de haver tecnologia para tal fim. Se juntarmos esse pensamento com o fato de que a todo minuto surge um produto novo no mercado, vamos facilmente entender que não podemos ficar eternamente gerando lista do produtos recicláveis. Apesar de muitas empresas e instituições se esforçarem para criar uma lista de produtos recicláveis, essa lista depende do grau de informação que a pessoa tem sobre tecnologias para o setor de reciclagem. De um modo claro, pode ser que uma pessoa inclua um produto como sendo não reciclável simplesmente pelo fato de não saber que talvez em outra cidade ou país, existe tecnologia para a reciclagem desse produto.

Antes de pensar na possibilidade de reciclagem de um produto, deve-se entender o seguinte: Não se pode usar o máximo de tecnologia para desenvolver um produto e o mínimo para reciclá-lo, ou seja, se um produto pode ser fabricado, com certeza também pode ser reciclado.

Viabilidade econômica

O fator que determina se um empreendimento vai dar certo ou não é a viabilidade econômica. Somente um negócio rentável consegue sobreviver e se manter em um mercado cada vez mais concorrido e infelizmente as boas os más intenções não influenciam nisso diretamente, dessa forma, para alguns resíduos (papel, plástico, alumínio, …) o negócio da reciclagem é por si só, altamente lucrativa, para outros nem tanto e finalmente para os últimos não. Para os casos de baixa ou nenhuma viabilidade econômica de projetos, o papel dos gestores públicos é fundamental, criando-se taxas que irão se reverter em incentivos para a empresas invistam nos negócios.

São inúmeros os fatores que vão influenciar diretamente neste quesito, vejamos alguns:

  • A quantidade de matéria prima disponível
  • O valor dos produtos resultantes da reciclagem praticados no mercado
  • O valor inicial do investimento
  • O custo de operação do empreendimento
  • A qualificação dos funcionários
  • O apoio político através de impostos baixos, fornecimento de terrenos, compra garantida dos produtos, …
  • A escolha do modelo ideal de negócio, entre outros.

A melhor maneira de se começar é através da elaboração de um Plano de Negócio elaborado por especialistas no setor. O principal objetivo do Plano é identificar o modelo de negócio que leve em consideração as peculiaridades da região, os valores praticados no mercado, as tecnologias existentes, a qualificação do pessoal, os investimentos estimados e por fim, o ponto de vista do empreendedor.

Qual o valor de uma usina de reciclagem de resíduos?

Potencial de mercado do setor de reciclagem

Segundo pesquisa do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, “O setor movimenta cerca de R$ 12 bilhões por ano. Mesmo assim, o País perde em torno de R$ 8 bilhões anualmente por deixar de reciclar os resíduos que são encaminhados aos aterros ou lixões.”

Porém, ao observar continentes como o Europeu, que tem quase o mesmo tamanho do Brasil, vemos que esse potencial ainda pode ser muito maior quando houver uma indústria de reciclagem instalada no país.

Em países desenvolvidos, a reciclagem funciona como fornecedor de matéria prima secundária, substituindo as matérias primas primárias oriundas das minas, florestas, rios, … ajudando a proteger a natureza ao mesmo tempo que incentiva o desenvolvimento cientifico e social.

Entenda mais sobre os conceitos definidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos brasileira clicando nos ítens da figura abaixo:

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