Empresas estrangeiras no Brasil

O setor de resíduos sólidos movimenta bilhões de euros no mundo inteiro e abre potenciais incrivelmente grandes no Brasil. Por suas características, o Brasil pode ser considerado quase um paraíso para empresas estrangeiras que queiram implantar suas tecnologias no mercado verde amarelo. Este mercado é imenso e as necessidades são gigantescas em todos os segmentos.

Porém, para que o brasileiro possa aproveitar parte desse mercado é preciso estar atento. Algumas empresas estrangeiras enxergam o Brasil somente como mercado consumidor, ou seja, é muitíssimo interessante desde que compre seus produtos e só isso. Essas empresas não se interessam em formar parcerias e muito menos fazer transferência de tecnologia em parceria com empresas brasileiras. Um dos grandes problemas nesse modelo de negócio é que quando a central tiver problemas de funcionamento, será necessário trazer um profissional do exterior para resolver. Dependendo do que seja, isso pode inviabilizar totalmente o negócio e em alguns casos até mesmo levar a empresa a falência com o gasto financeiro desnecessário.

O interessante é que no mundo de hoje essa atitude é rara e difícil de se impôr. Um bom exemplo é a construção de duas usinas nucleares na China. O negócio movimentou cerca de 8 bilhões de euros mas só foi concretizado depois que o governo chines se impôs e exigiu a transferência de tecnologia. A empresa Europeia então não teve escolha. Fechou o negocio e imediatamente os chineses vieram até a Alemanha para estudar o tempo que fosse necessário e aprender tudo sobre a usina.

O fato do Brasil não dominar completamente as tecnologias de transformação e automação que o setor de resíduos sólidos precisa, não significa que não poderá desenvolver rapidamente. A estimativa é que em no máximo um ano, se trabalhando em parcerias, se consiga desenvolver tecnologias de ponta até mesmo em áreas mais complexas como para a construção de biodigestores. Fazer parcerias com universidades para a transferência de know how em biodigestores pode significar um grande avanço dessa ciência no Brasil, o que tem como consequência nos permitir quem sabe aproveitar melhor nossas florestas, preservando e extraindo delas produtos de forma sustentável.

Por ter um grande mercado e muita disposição para aprender, o brasileiro pode tranquilamente resolver seus problemas internos e se tornar um grande exportador de tecnologias deste setor abastecendo mercados como o da África, Ásia e até mesmo Europa.

Portanto, bons negócios com empresas estrangeiras hoje em dia são aqueles que alem da venda de produtos, a empresa se preocupe com a possível incorporação e adaptação de seus produtos ao mercado brasileiros sem esquecer de fazer transferência de tecnologia inclusive com o treinamento de pessoal para a posterior operação e manutenção dessas centrais. Esse modelo de negócio é totalmente normal nos dias de hoje no mundo a fora. Porque deveria ser diferente no Brasil?

Dessa vez não. Não podemos ficar de bracos cruzados assistindo determinados absurdos!!!

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About Gleysson B. Machado

Sou formado em Dip. Ing. Verfahrenstechnik (Eng. Química) pela Universidade de Ciências Aplicadas de Frankfurt/M na Alemanha com especialização e experiência em Tecnologias para geração de Energia e Engenharia Ambiental. Larga experiência em Resíduos Sólidos com foco em Biodigestores Anaeróbios

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