Gestão de RCC na Grande Vitória/ES – Parte II

Essa publicação é referente a segunda parte do TCC de Ana Paula Schwanz da Silva, desenvolvido para a conclusão de seu curso de Engenharia Civil. Nomeado “Gestão de Resíduos Sólidos de edificações em empresas na Grande Vitória /ES (Estudo de caso)”.

Formada em Engenharia Civil pela Faculdade do Centro Leste (UCL, ano 2013) na cidade de Serra/ES, atualmente Ana Schwanz é estudante do curso de Pós Graduação em Engenharia Ambiental e Saneamento Básico pela Faculdade Estácio de Sá na cidade de Vitória/ES.

É docente do curso de Graduação em Engenharia Civil na Universidade Multivix, matriz Serra, na cidade de Serra/ES. Possui experiência de 06 anos na Construção Civil em obras de pequeno, médio e grande porte, tendo participado de obras importantes em seu estado, como a Reforma e Ampliação do Estádio Kleber Andrade e a Construção da primeira etapa do Complexo Cais das Artes (museu e teatro).

Vitória – ES

Para facilitar a leitura, o TCC  foi resumido e dividido em três publicações:

 

QUANTITATIVOS DE RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS MENSALMENTE NAS OBRAS DA EMPRESA “A”, “B” E “C”

Após um estudo aprofundado nos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de cada uma das três empresas pesquisadas e como elas fazem a gestão dos seus resíduos sólidos nas obras, foram levantados quantitativos de resíduos sólidos gerados mensalmente nas obras por um período de três meses, com as obras em fase de acabamento, obtendo-se um valor médio mensal da geração dos resíduos sólidos. Para manter a discrição quanto ao nome das empresas pesquisadas, elas foram chamadas de empresa “A”, empresa “B” e empresa “C”.

O curso sobre Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos oferecido pelo Portal Resíduos Sólidos é hoje referência no mercado, por ter o melhor conteúdo pelo melhor preço.As caçambas de gesso, cheias, comportam, aproximadamente, 3,0 toneladas, as caçambas de entulho tem 2,5 toneladas, as caçambas de madeira tem 1,05 toneladas, as caçambas de papel tem 0,65 toneladas e as caçambas de plásticos tem, aproximadamente, 0,83 toneladas.

A empresa “A” está construindo uma obra comercial que vai dispor de uma moderna estrutura de logística e armazenagem, tendo, no total, 13.244 m2 de área construída. Este empreendimento é uma construção em estrutura de concreto pré-moldado, montada no local e, em face disso, esta construção agride menos o meio ambiente, pois os resíduos sólidos gerados na obra de implantação são em pequenas quantidades, comparados com os tipos de construções tradicionais.

A média mensal identificada da empresa “A”, para esses três meses, está mostrada na Tabela 12.

Tabela 12: Quantidade de resíduo sólido gerado mensalmente na empresa “A”, na fase de acabamento. (Fonte: Dados coletados na empresa “A”).

O resíduo sólido classificado como entulho é recebido em caçambas no destino final e cobrado por unidade. Os outros resíduos sólidos são cobrados por tonelada. Os custos descritos nas tabelas já estão inclusos os fretes referentes a cada tipo de resíduo sólido.

A empresa B está construindo um empreendimento com 11 edifícios, com um total de 526 apartamentos e 3 áreas de lazer. O empreendimento é uma construção em bloco estrutural, com acabamento externo em monocapa, e interno, em gesso. O empreendimento é separado por conjuntos e, para fazer os levantamento e comparações com as outras empresas, foram utilizados os quantitativos de resíduos de apenas um dos conjuntos, com 4 edifícios de 4 aptos por andar, com 12 pavimentos, tendo um total de 16.000 m2 de área construída.

A média mensal identificada da empresa “B”, para esses três meses, está mostrada na Tabela 13.

Tabela 13: Quantidade de resíduo sólido gerado mensalmente na empresa “B”, na fase de acabamento. (Fonte: Dados coletados na empresa “B”)

Dentro da Grande Vitória, não é encontrado uma grande variedade de locais para destinação final dos resíduos sólidos e, por este motivo, todas as três empresas pesquisadas fazem o descarte dos seus resíduos sólidos nos mesmos locais.

Somente a empresa “C”, tem uma destinação final para o gesso bem diferenciada das demais, pois a empresa de prestação de serviços em instalação de rebaixamento em gesso, contratada para realizar este serviço em todas as obras da empresa “C”, faz a reciclagem das sobras das placas de gesso, na fabricação de giz. Isso faz com que a empresa “C” não tenha custos para descarte do gesso no seu destino final, somente para o transporte até o local da reciclagem das placas.

A empresa “C” está construindo um edifício residencial com 27 pavimentos, 189 unidades tipo, 9 coberturas e mais 7 lojas, com um total de 18.000 m2 de área construída.

A média mensal identificada da empresa “C”, para três meses, está mostrada na Tabela 14.

Tabela 14: Quantidade de resíduo sólido gerado mensalmente na empresa “C”, na fase de acabamento. (Fonte: Dados coletados na empresa “C”)

Na Tabela 15, podem-se analisar os quantitativos de geração de resíduos sólidos e de custos com transporte e destinação desses resíduos para as empresas “A”, “B” e “C”.

Tabela 15: Demonstrativo de dados coletados de todas as empresas pesquisadas. (Fonte: Dados coletados nas empresas “A”, “B” e “C”)

A quantidade de caçambas e peso do item gesso da empresa “C” é referente ao quantitativo gerado na obra. Porém, o quantitativo de valor pago, é referente, somente, ao frete pago para transportar o gesso até o local de reciclagem. É observada uma economia de aproximadamente R$4000 em um mês.

A quantidade mensal de determinado resíduo sólido gerado na obra varia conforme as atividades que estão sendo executadas do mês analisado. Na empresa “C”, é observado um grande volume do resíduo de papelão nesta fase, pois a argamassa de assentamento do piso utilizada na obra vem em sacos de papelão. Apresenta um volume significativo do resíduo gesso, que correspondem às sobras do rebaixamento do teto. Portanto, de acordo com a fase em que a obra se encontra, tem-se um aumento, ou uma redução na quantidade de determinado resíduo sólido.

Foi obtido, junto às empresas, o quantitativo mensal de geração de resíduos sólidos das empresas “A”, “B” e “C”, durante todo o período de construção das obras, e estes dados são mostrados em um gráfico com o demonstrativo da geração de resíduos sólidos totais da obra, por fase da obra, de acordo com a Figura 11.

Figura 11: Demonstrativo de geração de resíduos sólidos durante toda a obra, por fase de construção x kg/m2 de resíduo sólido gerado durante toda obra. Fonte: Dados coletados nas empresas “A”, “B” e “C”.

O gráfico da Figura 11 mostra que a fase de implantação do canteiro é a que gera menos resíduos sólidos. Essa fase só tem um aumento significativo, quando é necessária a demolição de alguma estrutura já construída, gerando mais resíduos sólidos de entulho, que é o caso da empresa “A”.

A empresa “A”, na fundação, tem a menor geração de resíduos sólidos, entre as outras, pois não utiliza fôrma de madeira na estrutura, porque os pilares, vigas e lajes são pré-moldados.

Grande parte da estrutura pré-moldada fica aparente, não necessitando de reboco, o que diminui a quantidade de sacos de papel provenientes das argamassas industrializadas e sacos de cimento. As fachadas em pele de vidro têm uma economia significativa na alvenaria, gerando menos entulho também, o que reduz os resíduos sólidos gerados na fase de acabamento.

Na fase de acabamento, a empresa “A” não apresenta uma quantidade significativa do resíduo sólido de gesso, porque só usa o rebaixamento em gesso nos escritórios, portanto, apresenta redução nos resíduos sólidos nesta fase da obra, em comparação com as outras, que fazem o rebaixamento de gesso nas suas obras.

A empresa “B”, na fase de acabamento, é a empresa que mais gera resíduos sólidos, pois a área de aplicação de revestimento cerâmico é maior e tem um desperdício muito grande na hora do corte do revestimento, gerando muito entulho de cacos de cerâmica, além de fazer o uso de massa corrida em grande quantidade.

A empresa “C”, na fase de fundação e estruturas, utiliza fôrmas de madeira para execução da fundação, pilares, vigas e lajes, que geram muitos cortes e, consequentemente, muito desperdício de madeira, aumentando a quantidade de resíduos sólidos gerados nesta fase da obra.

Todas as três empresas apresentaram um significativo aumento na geração de resíduos sólidos na fase de acabamento, quando são gerados os resíduos de gesso, provenientes do rebaixamento do teto, resíduos de plásticos, dos sacos de massa corrida utilizada para emassamento de paredes e sacos de papelão de argamassa, usada para o assentamento de pisos e revestimentos, além do aumento de papéis, como caixas de acabamentos, lixas de pintura e caixas de revestimento cerâmico.

A Figura 12 mostra a geração de resíduos sólidos, separados por tipo de resíduo sólido, nas três empresas, durante toda a construção das obras.

Figura 12: Demonstrativo de geração de resíduos sólidos durante toda a obras, nas empresas estudadas, por tipo de resíduos sólido x kg/m2 de resíduo sólido gerado. Fonte: Dados coletados nas empresas “A”, “B” e “C”.

A empresa “A” gera menos resíduos sólidos de gesso, quando comparada com as empresa “B” e “C”, pois a cobertura do telhado fica toda à mostra, não tendo rebaixamento em gesso, como na “B” e “C”. Também gera menos madeira, pois as fôrmas dos pilares e vigas são metálicas e as lajes são pré-moldadas.

Em compensação, a empresa “A” gera mais papel, papelão, pois utilizada muito cimento e argamassa para revestimento, e a cobertura metálica do empreendimento vem toda embalada em papelão e plástico, fazendo com que se tenha um aumento significativo destes resíduos sólidos na obra.

 

Para saber mais sobre PGRS, veja o vídeo a seguir:

 

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Contato de Ana Paula Schwanz :

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Artigo publicado por Renata Leite

renata.fcl@gmail.com

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About Renata Leite

Especialista em Diagnóstico de Resíduos Sólidos e Plano de Negócios para Biodigestores e para Centrais de Triagem. Engenheira Ambiental e Técnica em Meio Ambiente. Contato: renata.leite@envitesb.com +55 88 9 9706 2501

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