Gestão de RCC na Grande Vitória/ES – Parte III

Essa publicação é a terceira e última parte do TCC de Ana Paula Schwanz da Silva, desenvolvido para a conclusão de seu curso de Engenharia Civil. Nomeado “Gestão de Resíduos Sólidos de edificações em empresas na Grande Vitória /ES (Estudo de caso)”.

Formada em Engenharia Civil pela Faculdade do Centro Leste (UCL, ano 2013) na cidade de Serra/ES, atualmente Ana Schwanz é estudante do curso de Pós Graduação em Engenharia Ambiental e Saneamento Básico pela Faculdade Estácio de Sá na cidade de Vitória/ES.

É docente do curso de Graduação em Engenharia Civil na Universidade Multivix, matriz Serra, na cidade de Serra/ES. Possui experiência de 06 anos na Construção Civil em obras de pequeno, médio e grande porte, tendo participado de obras importantes em seu estado, como a Reforma e Ampliação do Estádio Kleber Andrade e a Construção da primeira etapa do Complexo Cais das Artes (museu e teatro).

VERIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DO PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS FEITOS NAS OBRAS DAS EMPRESAS “A”, “B” E “C”.

A empresa “A” faz a segregação dos resíduos sólidos e a armazenagem em local adequado, conforme o seu Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos e de acordo com a NBR 10.004 (2004).

Curso de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos no Portal Residuos SolidosO transporte dos resíduos sólidos gerados na obra da empresa “A” é feito em caçambas, por empresas legais, que fazem o transporte do resíduo sólido da empresa até o destino final, para descarte ou reaproveitamento.

A empresa “A” tem como destinação final dos resíduos sólidos de sua obra, aterros sanitários e bota-foras licenciados pelo município.

A empresa “B” faz a correta separação dos resíduos sólidos na obra, classificando e armazenando os resíduos de acordo com o seu Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. O transporte é feito por empresas licenciadas pelo município, que leva os resíduos sólidos até a destinação final, geralmente, em aterros sanitários e bota-foras da região.

A empresa “C” está construindo um edifício residencial com 27 pavimentos, 189 unidades tipo, 9 coberturas e mais 7 lojas, com um total de 18.000 m2 de área construída.

A empresa “C” tem alguns problemas na segregação dos resíduos sólidos nos locais das atividades. O monitoramento não é feito de forma correta, e isso ocasiona o armazenamento inadequado dos resíduos sólidos.

O transporte é feito por empresas licenciadas que levam os resíduos para aterros sanitários da região ou bota-foras, de acordo com o descrito no Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da empresa “C”.

O gesso, resíduo classe C, é o único que possui uma destinação final diferenciada, pois a própria empresa que faz o serviço de rebaixamento em gesso, faz a segregação da sobra de gesso na obra da empresa “C”. A empresa “C” faz o transporte dos resíduos de gesso até a empresa de Rebaixamento de Gesso, onde é feito o reaproveitamento das sobras das placas de gesso na produção de giz.

No geral, as empresas fazem uso de correta execução das etapas do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, de acordo com as normas e a legislação vigente nos Municípios da Grande Vitória, como mostra a Tabela 16.

Tabela 16: Verificação da execução das etapas do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos nas obras. (Fonte: Dados coletados nas empresas “A”, “B” e “C”)

Mesmo a empresa “C” apresentando uma Não-Conformidade na etapa de triagem dos resíduos sólidos, isso não acarretou prejuízos às demais etapas posteriores, pois os funcionários não estavam fazendo a triagem dos resíduos sólidos no local de trabalho, e sim, deixavam para fazer a triagem já no canteiro de obras, antes do armazenamento.

CONCLUSÕES

O resíduo sólido e os problemas causados pela sua inadequada destinação é um assunto bastante estudado nos últimos anos. A construção civil tem uma significativa contribuição na geração dos resíduos sólidos e a legislação diz, claramente, que a empresa geradora de resíduos sólidos é responsável pela correta gestão e administração desses resíduos, para que eles são agridam o meio ambiente e a população.

Com o passar dos anos e a intensa fiscalização dos órgãos responsáveis, as empresas começam a criar alternativas para a melhor gestão desses resíduos, já que ainda não é possível eliminá-los. Como requisito legal, a empresa é obrigada a criar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, baseado nas normais e leis que abordam este tema, além de ser um requisito para a obtenção do certificado de gestão da qualidade ISO 9001.

Basicamente, os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos das empresas “A”, “B” e “C”, estudados, são muito semelhantes, por ser tratar de empresas do ramo da construção civil, dentro da Grande Vitória. São elaborados conforme a mesma legislação, a resolução n° 307 do CONAMA (2002) e NBR 10.004 da ABNT (2004), e seguem os mesmo critérios para a classificação dos resíduos sólidos.

O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos das empresas é dividido em quatro etapas básicas: triagem, que é a separação dos resíduos sólidos, de acordo com a sua classificação, acondicionamento dos resíduos sólidos na obra em locais adequados, transporte dos resíduos sólidos até o destino de descarte ou reciclagem, e o próprio descarte ou reciclagem desse resíduo.

O curso sobre Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos oferecido pelo Portal Resíduos Sólidos é hoje referência no mercado, por ter o melhor conteúdo pelo melhor preço.Foi feito o acompanhamento de todas as etapas do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos nas empresas “A”, “B” e “C”, desde a separação dos resíduos sólidos na obra até o destino final de descarte deste resíduo e foi verificado que as etapas são cumpridas na maioria das vezes, porém, são mais rigorosas nos períodos de auditórias, pois a gestão dos resíduos sólidos é um dos requisitos para a obtenção e manutenção do certificado do sistema de gestão da qualidade ISO 9001.

Todas as empresas estudadas entendem a importância da correta gestão dos resíduos sólidos em suas obras, para a preservação do meio ambiente, porém, somente a empresa “C”, não vê a gestão dos resíduos sólidos somente como um requisito para manter a certificação da qualidade, mas como um bem comum ao meio ambiente, população e à própria empresa, e busca alternativas para o reaproveitamento dos resíduos sólidos gerados em suas obras, como o reaproveitamento do entulho para aterros na própria obra e a reciclagem da sobra do gesso para a fabricação de giz. Isso mostra que a empresa se preocupa com os problemas que a má destinação dos resíduos sólidos pode causar ao meio ambiente e à população, e economiza recursos com essas alternativas.

Foi verificado que a quantidade de resíduos sólidos gerados nas empresas “A”, “B” e “C”, diferencia-se, pelos sistemas construtivos utilizados por cada empresa. A empresa “A”, por exemplo, gera uma menor quantidade do resíduo gesso, da classe C, pois é um empreendimento comercial e a sua cobertura metálica fica exposta, não necessitando de rebaixamento de gesso. Ao contrário das empresas “B” e “C”, que executam obras de edifícios residenciais, onde é feito o serviço de rebaixamento em gesso, para a melhor qualidade e valorização do empreendimento. A empresa “A” tem sua estrutura toda pré-moldada, desde os pilares e vigas, até as lajes, e utilizam fôrmas metálicas na fabricação dos pré-moldados, isso faz com que, a geração do resíduo sólido de madeira seja mais reduzida do que as outras empresas estudadas.

Foi verificado nas empresas “A”, “B” e “C”, que acontece a fiscalização das etapas do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, porém, essa fiscalização é mais intensa e correta nos períodos de auditorias. Todas as empresas estudadas têm auditorias internas, que são realizadas mensalmente, e uma vez ao ano, tem a auditoria externa do sistema de gestão da qualidade ISO 9001, para garantir a permanência do certificado de qualidade.

Foi observado que, na semana da auditoria interna ou no período da auditoria externa da ISO 9001, a fiscalização feita pela equipe responsável, fica mais rigorosa e as etapas do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos são feitas de forma correta.

As empresas estão, cada dia mais, conscientizadas da sua responsabilidade social com a população e o meio ambiente e sabem da importância que a correta gestão dos seus resíduos sólidos tem para a preservação da natureza. Mas, ainda precisam criar o hábito de fazer, diariamente, o seu papel, executando de forma correta o seu Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, para que essa cultura se fortaleça com o tempo. As empresas precisam criar, dentro das obras, a cultura do reaproveitamento e do não desperdício, para que além de fazer a gestão correta, minimizem a geração dos resíduos sólidos, contribuindo para a preservação do meio ambiente.

Para facilitar a leitura, o TCC  foi resumido e dividido em três publicações:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Artigo publicado por Renata Leite

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About Renata Leite

Especialista em Diagnóstico de Resíduos Sólidos e Plano de Negócios para Biodigestores e para Centrais de Triagem. Engenheira Ambiental e Técnica em Meio Ambiente. Contato: renata.leite@envitesb.com +55 88 9 9706 2501

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